Moisés (1592 a.C. - 1472 a.C. em hebraico, Moshe, משה), profeta israelita da Bíblia Hebraica (conhecida entre os cristãos como Antigo Testamento), da Tribo de Levi. De acordo com a tradição judaico-cristã, Moisés foi o autor dos 5 primeiros livros do Antigo Testamento (veja também Pentateuco). É encarado pelos judeus como o principal legislador e um dos principais líderes religiosos. Para os muçulmanos, Moisés (em ár. Musa, موسى) foi um grande profeta. No Islão, é conhecido como Kalim Allah (ﻛﻠﻢ ﷲ), ou seja, aquele que falou directamente com Deus
Segundo o Livro do Êxodo, Moisés foi adotado pela filha do Faraó Seth, Thermuthis, que o encontrou enquanto se banhava no rio Nilo e o educou na corte como o princípe do Egito. Aos 40 anos (1552 a.C), após ter matado um feitor egípcio levado pela "justa" cólera, é obrigado a partir para exílio, a fim de escapar à pena de morte. Fixa-se na região montanhosa de Midiã, situada a leste do Golfo de Acaba. Por lá acabou casando-se com Séfora e com ela teve um filho chamado de Gérson. Quarenta anos depois (1512 a.C.), no Monte de Horebe, ele depara-se com uma sarsa ardente que queimava mas não se consumia e assim é finalmente "comissionado pelo Deus de Abraão" como o "Libertador de Israel".
Ele conduziu o povo de Israel até ao limiar de Canaã, a Terra Prometida a Abraão. No início da jornada, encurralados pelo Faraó, que se arrependera de te-los deixado partir, ocorre um dos fatos mais conhecidos da Bíblia: A divisão das águas do Mar Vermelho, para que o povo, por terra seca, fugisse dos egípcios, que tentando o mesmo, se afogaram. Logo no início da jornada, no Monte de Horebe, na Península do Sinai, Moisés recebeu as Tábuas dos Dez Mandamentos do Deus de Abraão, escritos "pelo dedo de Deus". As tábuas eram guardadas na Arca do Concerto. Depois, o código de leis é ampliado para cerca de 600 leis. É comumente chamado de Lei Mosaica. Os judeus, porém, a consideram como a Lei (em hebr. Toráh) de Deus dada a Israel por intermédio de Moisés. Em seguida, os israelitas vaguearam pelo deserto durante 40 anos até chegarem a Canaã.
Moisés com as Tábuas da Lei, por Rembrandt.
Durante 40 anos (segundo a maioria dos historiadores, no período entre 1250 a.C. e 1210 a.C.), conduz o povo de Israel na peregrinação pelo deserto. Moisés morre aos 120 anos (1472 a.C.), após contemplar a terra de Canaã no alto do Monte Nebo, na Planície de Moabe. Josué, o ajudante, sucede-lhe como líder, chefiando a conquista de territórios na Transjordânia e de Canaã.
No Cristianismo, Moisés prefigura o "Moisés Maior", o prometido Messias (em grego, o Cristo). O relato do Êxodo de Israel, sob a liderança por Moisés, prefigura a libertação da escravidão do pecado, passando os cristãos a usufruir a liberdade gloriosa pertencente aos filhos de Deus.
Na Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, é venerado como santo, sendo a festa celebrada a 4 de setembro.
Nome de Moisés
A origem do nome Moisés é controversa. As evidências apontam para a origem egípcia do nome sem o elemento teofórico. Més (ou na forma grega, mais divulgada, Mósis), deriva da raiz substantiva ms (criança ou filho), correlata da forma verbal msy, que significa "gerar" (note-se que na língua egípcia, à semelhança de outras do Próximo Oriente, a escrita renunciava ao uso das vogais). Més significa assim "gerado", "nascido" ou "filho". Tome-se como exemplo os nomes dos faraós Ahmés (Amósis), que significa "filho de [deus] Amon-Rá", Tutmés (Tutmósis), significando ("filho de [deus] Tut), ou ainda Ramsés, com o significado de "filho de [deus] Rá".
De acordo com Êxodo 2:10 (ALA), é explicado que "quando o menino era já grande, ela [a mãe natural] o trouxe à filha de Faraó, a qual o adoptou; e lhe chamou Moisés, dizendo: Porque das águas o tirei." Para os judeus, o nome Moisés, em hebr. Móshe (מֹשֶׁה), é associado homofonicamente ao verbo hebr. mashah, que têm o significado de "tirar". Na etimologia judaica popular, têm o significado de "retirado [isto é, salvo]" da água. Veja também Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo, Livro II, Cap. 9 § 6.
Estudiosos da História acreditam que o período que Moisés passou entre os egípcios serviu para que ele aprendesse o conceito do "Monoteísmo", criado pelo faraó Akhenaton, o faraó revolucionário, levando tal conceito ao povo judeu. Segundo Sigmund Freud, em seu livro Moisés e o Monoteísmo (apoiando-se mais em suas teorias psicanalíticas do que em dados históricos, o que não dá muita credibilidade à obra), a religião judaica é a religião de Akhenaton modificada, e foi justamente Moisés quem a implantou entre os judeus. Como ele era rigoroso, os judeus (naquela época ainda chamados de hebreus) o mataram, adotando a religião de Javé ou Jeová. A morte de Moisés ficou no inconsciente coletivo judeu, e, gerações depois, por meio dos levitas (que, na verdade, eram os descendentes dos egípcios que acompanharam Moisés), a religião mosaica foi retomada, abandonando-se a religião de Javé, porém, associando o nome deste deus ao deus de Moisés. Em suma: a religião de Moisés foi retomada, mas ficou como se fosse a de Javé. O historiador Colin J. Humphreys, em seu livro Os milagres do Êxodo: a descoberta de um cientista das extraordinárias causas naturais das histórias bíblicas, afirma que os milagres relatados no livro do Êxodo foram frutos de causas naturais. A escuridão que caiu sobre o Egito, por exemplo, foi fruto de uma tempestade de areia.
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